Consenso de Ação – Parar o Porto de Gás | 13 Maio

O Consenso de Ação é um acordo base da Ação Parar o Porto de Gás, no âmbito da plataforma de ação Parar o Gás. Todas as pessoas que lerem e concordarem com este consenso são mais que bem-vindas a participar na ação.

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No mesmo ano que Portugal iniciou com seca extrema e terminou em cheias brutais em várias cidades, as empresas de combustível fóssil continuaram com planos de expansão de gás “natural”, um combustível fóssil que acelera a crise climática. Para piorar, a subida do preço de gás levou a lucros históricos para estas empresas e seus acionistas ao mesmo tempo que levou ao aumento da inflação e empobrecimento de todas nós. Eles não vão parar. Temos de ser nós a parar estes crimes. A grande maioria do gás fóssil é utilizada para produzir eletricidade em Portugal. O que reivindicamos é simples: eletricidade 100% renovável e acessível a todas as pessoas em Portugal até 2025. A grande maioria do gás fóssil chega a Portugal por barco, no porto de Sines.

No dia 13 de Maio de 2023, partiremos de vários lugares em Sines. Iremos em manifestação até ao Terminal de Gás Natural Liquefeito do Porto de Sinesa entrada principal de gás fóssil em Portugal. Aqui vamos, com coragem e criatividade, travar o seu funcionamento.

Vamos agir de uma forma cuidada, não colocando pessoas ou animais em perigo. Atravessaremos ou contornaremos pacificamente quaisquer bloqueios de forças policiais ou de segurança, ou obstáculos estruturais.

A nossa ação é divulgada publicamente e todas as pessoas, com ou sem experiência prévia, são bem-vindas a participar, desde que devidamente preparadas. Vamos preparar-nos através da formação em ação de massas tal como participação na apresentação legal e de ação. No decorrer destas, cada pessoa fará uma decisão consciente entre as diferentes formas de atuação.

A nossa ação não é contra as pessoas cujas vidas possam ser por ela afetadas de alguma forma, nem é dirigida à polícia ou aos trabalhadores. A nossa ação é contra a injustiça climática, o aumento de custo de vida, o capitalismo e a indústria fóssil. Travaremos uma das infraestruturas nevrálgicas que alimenta este sistema de exploração e opressão. Travamos esta infraestrutura porque temos o dever de proteger e assegurar a vida de todas nós e a salvaguarda do equilíbrio climático. Se a nossa ação causar incómodos para algumas pessoas, nomeadamente os trabalhadores do Porto de Sines, queremos expressar que o fazemos porque evitar o colapso civilizacional exige criar disrupção.

O curso da ação será decidido em conjunto, pelo plenário dos delegados e pela coordenação da ação. Assumimos a responsabilidade coletiva pelo sucesso da ação. Vamos assegurar um processo transparente, com respeito e apoio integral a todas as envolvidas.

Tomaremos conta umas das outras antes, durante e depois da ação, e estaremos vigilantes face às necessidades e capacidades das pessoas que nos rodeiam. Estaremos com presença e atenção completa, não estando sobre o efeito de álcool ou outras drogas pesadas.

Não toleraremos qualquer tipo de discriminação. Ambicionamos criar um espaço livre de opressão e discriminação, e que pelo contrário nos desafie a construir uma sociedade mais justa, equitativa e inclusiva.

Somos pessoas de diversas origens sociais e políticas. Vemo-nos como parte do movimento pela justiça climática, cabendo a todas nós o enorme desafio de travar o colapso climático. A nossa luta é contra todos os sistemas interligados de opressão e discriminação. Estamos em solidariedade com todos os povos que lutam por um planeta justo e habitável.